terça-feira, 23 de setembro de 2008

O início

Depois de uma semana bem turbulenta estou de volta e como havia me proposto, falarei sobre o surgimento da música eletrônica contemporânea.

Antes de tudo, queria lembrar a todos que o processo de evolução da música eletrônica está indissociável ao desenvolvimento de novas tecnologias. Antigamente, os próprios inventores dos instrumentos eram os criadores das músicas. Apesar de já existir, previamente ao nosso ponto de partida, instrumentos como o "Theremin" (um tipo de ondulador que aparece num clipe do Pato Fu), o "Órgão Elétrico" e o "Vocoder", (um instrumento capaz de sintetizar, codificar a voz humana) gostaria de iniciar a trajetória da música eletrônica a partir de sua real criação.

Tudo começou em 1955 com a invenção do "RCA MARH II SYNTH", um sintetizador revolucionário criado por Harry Olsen e Herbert Belar. Conseguem imaginar o tamanho do synth? Ocupava uma salinha inteira e por isso seu uso ficava restrito apenas a grandes gravadoras. Pois bem, foi devido a esse dinossauro que surgiu o primeiro estilo de música eletrônica: a "Musique Concrete". Malditos franceses! Muitas músicas desse estilo nem tinham ritmo, eram sons de fitas magnéticas, transistores e tubos a vácuo. Sem dúvida, era um tipo de música bem peculiar, imerso na "nouveau art" pós-grandes guerras, ou seja, as produções eram quase todas estranhas ou bizarras.

Para nossa felicidade, no fim da década de sessenta com o surgimento do movimento minimalista, tudo mudou. Foi um movimento que ficou um tanto quanto restrito às artes visuais e à música, mas atualmente é possível notar sua influência também em outros campos da arte. O lema minimalista é: "quanto menos melhor, o charme está nos detalhes". Na música eletrônica, as composições do estilo "Minimalismo" se baseiam num processo de repetição e interação dos elementos da música, atendo-se apenas a percussões e efeitos hipnóticos, sem exageros. Viram agora porque música eletrônica é tão repetitiva? Essas composições eram muito utilizadas em filmes na década de setenta. Se lembram daquela musica sinistra do filme "O Exorcista"? É um bom exemplo. Hoje em dia, temos estilos fundamentalmente minimalistas como o Minimal Techno e o Minimal House, mas não nos precipitemos, é melhor voltar à década de setenta.

Mas como já escrevi demais por hoje, deixemos a década de setenta pros próximos posts.

Ah, mais uma coisinha. Hoje ouvi os novos lançamentos do Gabriel Ananda, pra quem se interessar, são músicas pertencentes ao estilo "minimal house". Tudo muito light e gostoso pra ouvir em casa.

EP - Coconut Blues
Lançamento: 15.09.2008

01 - Gabriel Ananda - Coconut Blues
02 - Gabriel Ananda - Baby Punk

Espero que gostem e tenham uma ótima semana.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Protesto

Antes de falar sobre o surgimento da música eletrônica, queria manifestar um protesto.

Toda área tem seus bons e maus profissionais, mas na área artística (especificamente a minha) existe também dois outros tipos de profissionais: o primeiro tipo é o "estrelinha" e o segundo é o "wannabe estrelinha". Imaginem, então, o estereotipo desses tipos. Já imaginaram? Pois, para aqueles que não o fizeram bem, vou descrever. Mas antes de descrever, queria dizer que não estou julgando nenhuma pessoa em específico e sim um perfil, e que a grande maioria dos djs do meu convívio social, seja ele presencial ou virtual, são ótimas pessoas e profissionais super éticos.

Enfim, vamos à descrição. O "estrelinha" é aquele indivíduo que fica só no cantinho da cabine, observando tudo que o outro colega dj faz. De preferência até comenta com alguém do lado: " Esse cara num toca nada, Vô acabar com ele, quebrar as pernas dele, colocar no bolso e sair andando. Meu som é milhões de vezes melhor. Eh noix." A grande questão patológica desse pobre garotinho (ou garotinha) nem é tanto o fato de ele estar desrespeitando o trabalho do outro e sim cometer a infortúnio de se achar superior ao outro. Geralmente, a pessoa que se encaixa nesse perfil gosta de fazer o famoso "carão" pras outras. Quanta humildade! Penso que é necessário sim se reconhecer seu próprio valor como profissional, mesmo porque um dj lida muito com o emocional e ter segurança é imprescindível para uma boa performance. Mas chegar ao ponto de se sentir superior é muita purpurina, não?

A uma categoria abaixo dos "estrelinhas" estão os "wannabe estrelinhas". Esses são tão insignificantes, que até um público mais leigo perceberia seus constantes erros de mixagem, devido à falta de técnica e conhecimento. Sem contar na literal "cara de bosta" que muitos naturalmente tem. Alguns até mesmo usam de artifícios como utilizar o set mixado de outro dj e fingir que estão tocando. Como já ouvi certa vez, "Dj Chico Xavier". E acreditem, pior que essa categoria só a dos falsos produtores, porque pegar música de outra pessoa e falar que é sua é crime de direitos autorais!

Além desse protesto quero fazer um apelo a meus colegas de profissão. Sejamos pessoas melhores! Pode até parecer bobagem e demagogia, mas se não houvesse briguinhas entre djs, picuinhas e questões do gênero, seria tão mais gostoso trabalhar em harmonia e o público só sairia ganhando. Já cansei de ver dj "queimar" as músicas do outro só de sacanagem. Para que tanta mágoa nesses coraçõezinhos? Acaba que fica feio é pro neném pirracento! Hierarquia existe, acredito nela e quem está no topo é o público. Como dizem algumas amigas minhas: "To pagando!". Sem espectadores não há show.

Por hoje é isso pessoal! Acho que escrevi muito não é mesmo? Logo escrevo o texto sobre o surgimento da música eletrônica.

Um ótimo dia a todos!

sábado, 13 de setembro de 2008

E-Music

Após muito pensar e não fazer nada pra combater o ócio da minha rotina, resolvi começar logo de uma vez esse maldito blog. Não se assustem pela aparente raiva, a questão é que está passando da hora de alguém falar algo realmente interessante sobre música eletrônica e não um monte de lixo "pseudo cult".

O principal fator que me fez iniciar essa atividade é porque sinto que os frequentadores de casas noturnas e festas open air estão, de uma maneira geral, se preocupando mais com a qualidade do som do local. Obviamente, esse número ainda é pequeno perto da quantidade de indivíduos que vão pra balada só porque a djeane é "gostosa" e faz um som "da moda". Não é preciso viver na indústria pra saber do que se passa nela, meu bem. Com certeza, um pouco de conhecimento contribui para a satisfação de nossos ouvidos! Gosto se discute sim e, modéstia parte, tenho bom gosto.

Apesar de alguns músicos puritanos desprezarem música eletrônica, toda produção músical para mercado é feita em estúdio. Estou cansada de ouvir: "Ahh nessas músicas só se ouve esse tuntz tuntz o tempo inteiro..." . Pior é pensar que dj é aquela pessoa que liga o pc, faz download de mp3 em qualidade ruim (porque tem mais fontes) e sai apertando play nas cdjs por aí. Claro, cada um tem seu espaço, e cada região é diferente. Na minha opinião esse tipo de trabalho é animação de festa, no máximo, não a verdadeira discotecagem.

Portanto, pretendo discutir nesse humilde blog um pouco (ou muito, depende da colaboração dos amigos) sobre a história da música eletrônica e suas vertentes, desde o surgimento da "Musique Concrete" na década de cinquenta até a atualidade. Também darei dicas sobre lançamentos de projetos
de meu gosto, sites para pesquisar, etc. Ah, e obviamente contarei todos bafões ocorridos nas noites de sábado, porque meu intuito nunca foi fazer um cult blog e sim falar da vida alheia *risos*. Brincadeirinha da titia!

Enfim, como sou chata e tenho preguiça de escrever muito (sei que não é só comigo), já adianto o assunto do próximo post: "O surgimento da música eletrônica".

Amigos interessados, já pesquisem no google e colaborem com a minha pessoa através de idéias e sugestões!!

Antes de me despedir, aí vai o marketing pessoal: Hoje tem Joe Welch, Dj Wendell Hollanda e Dj Thay Akel na MUB Club, mais informações, visitem meu orkut ou o site da MUB.

Um ótimo sábado a todos nós!